terça-feira, 30 de novembro de 2010

Uma vidinha


Eu queria do gato apenas uma vidinha
Apenas umazinha das sete vidinhas
Sair à noite voltar de manhãzinha
Andar preguiçoso durante o dia

Olhos fechando
Miado mudo
Horas passando
Viver noturno

Eu queria do gato apenas uma vidinha
Receber da dona qualquer carícia
E só ter amizades da raça minha
E do telhado olhar a rinha

Sem sentimento
Sem cachorrices
Lamber as patas
Simular asmas

Eu queria do gato apenas uma vidinha
Apenas umazinha das sete vindinhas
Já seria aventura, já seria alguma
Diferentemente da vidinha minha.     

sábado, 20 de novembro de 2010

Viajantes


Como dois viajantes em novas terras
Singrando rios
São meus olhos admirados de ti
Descobridores de ti
Cada curva dos teus rios me convida a desbravar-te
E me lanço desejando o degredo nas terras tuas
Terras nuas, inéditas, claras
Um dia hei de morar em ti
E viver em ti
E morrer de viver em ti
Um dia hei de erigir um pórtico
Alçarei bandeira
E tu serás terra minha
Coisa minha
Língua, hino, brasão e casa minha

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vilão

Vilão
Agora eu sou teu vilão
Agora já não valho
Sou teu inferno
   Sou teu estrago
Agora já não sou alguém
Sou um estado
   Sou teu desdém
Como se nunca tivesse te amado
Me transformas-te em trapo
    Num mau-viver
Como se nunca tivesse te oferecido paz
Foste capaz
    De me maldizer
Agora estou de partida
Levando a ferida
E o sangue a correr.

sábado, 23 de outubro de 2010

O Sal


Cadê o gosto? Cadê o sal? Foi-se o sal das lágrimas. Foi-se ao som das lástimas.
Deu-se ao fio da foice
Cadê o gosto? Cadê o doce? Deu-se ao deleite  Da triste vida de enfeite
Deu-se ao dar-se. Cadê o gosto da novidade?

Abraça-me. Faça-me torpor na prova do venenoso sal da tua pele.
Na prova da tua carne. Nas provas de minha boca.
Quero noites à tua espreita  
Quero dias à tua espera
Quero ao campo das tuas carícias a fartura de uma colheita

De noite te quero alva
De dia te quero negra
De todo te quero sempre
Pra sempre te quero minha.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

À Pátria

De tanto que sinto, pouco tenho a dizer.

E mesmo com todo amor que tenho pela vida eu insista em tentar abrir um tanto, a Pandora caixa que em meu peito se enterra, certamente não conseguirei desvelar o selo deste manto.  Certamente calar será o ato deste peito em constante desencanto.

Parco em zelo, com quase nenhum querer vivaz, encruo a vida lamentando. 
Hasteio a bandeira da terra dos infelizes. Sinto-me, desta terra, um patriota depreciando sua pátria triste, por estar tão triste que da tristeza pátria desdenha ao namorar a fronteira do desprazer da vida, ansiando repatriar-se.  
Pouco tenho a dizer além da tristeza que teimo em viver. De tanto que sinto.       

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

(Érre)


Reviro textos inacabados.
Revivo momentos passados.
Revido golpes, mesmo cansado.
Retiro argueiro de olhos vazados.
Repito trechos de poemas privados.
Reparo sapatos para andar descalço.
Releio frases que interpreto errado.
Relaxo meu andar já muito largado.
Relevo amigos desinformados.
Revelo feridas que inspiram cuidados.
Resvalo em vasos há muito tempo quebrados.

Respire um tanto.

Resta relatar rumas de rimas ruins deste roto que reza ainda ser lido.
O Resto redijo amanhã.