Eu seria capaz de cartografar o relevo do teu rosto.
Seria capaz de recriar a coloração da tua pele em qualquer superfície plana.
Seria exato na resposta quanto a tua ergonomia. Sei das tuas extensões.
Eu seria capaz de identificar a tua sombra.
Seria capaz de esculpir teu vulto.
Seria hábil ao talhar tuas mãos em mármores, pedras brutas...
Conheço-as e sei dos seus toques, sua textura.
Seria capaz de farejar teu aroma.
Seria capaz de notar ao longe o brilho da leve penugem descolorida das tuas coxas.
Seria exato na localização dos pontilhados do teu corpo.
Seria capaz de descansar mais e melhor num abraço teu que em minha própria cama.
Seria belo tê-la aqui.
E seria inesquecível poder testar tudo isso. Testar toda essa minha habilidade de você.
Provar-te provando-te.
Beijá-la testando-te.
Notando até onde teu corpo aguenta.
Notando até onde teu corpo suporta. Até quando teu corpo me suporta.
Meu peso, meu beijo, minhas intensidades, meus suspiros te inalando. Como se tivesse em mim, te armazenando.
Respirando profundamente como um homem em afogamento. Na busca do aproveitamento da atmosfera que é você.
Eu seria capaz de ir te buscar
Eu seria rápido nessa hora
E te carregaria
E no caminho já te testaria
Se suportaria
Meus exageros e minha euforia.
quinta-feira, 17 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
Refletindo Marés da Vida
(de um grande amigo...)
Quando olho a maré em seu fluxo-refluxo,
no vai-e-vem infindável rebentando-se nas rochas
e se espalhando numa informe mancha branca espumejante,
fico pensando em mim, na minha ambivalência,
na indecisão de um querer-não-querer em que me encontro
tantas vezes nesta minha travessia...
Quantas vezes eu percebo que minha própria vontade
se desmancha em fragmentos borbulhantes que se apagam toda vez que reajo e que me choco com os recifes da vida...
a única esperança reside no refluxo da maré...
Kürios Khronos
Quando olho a maré em seu fluxo-refluxo,
no vai-e-vem infindável rebentando-se nas rochas
e se espalhando numa informe mancha branca espumejante,
fico pensando em mim, na minha ambivalência,
na indecisão de um querer-não-querer em que me encontro
tantas vezes nesta minha travessia...
Quantas vezes eu percebo que minha própria vontade
se desmancha em fragmentos borbulhantes que se apagam toda vez que reajo e que me choco com os recifes da vida...
a única esperança reside no refluxo da maré...
Kürios Khronos
terça-feira, 8 de março de 2011
Escrevo-te
Escrevo-te atordoado pelo medo. Escrevo-te em pleno terror. Escrevo-te no pavor de um breu que me alcançou. Escrevo-te com o temor de um oprimido. Escrevo-te em garranchos. Escrevo-te perdido em confusão. Escrevo-te sem saída. Escrevo-te em pânico.
Escrevo-te com uma sede. Com uma fome. Com uma vontade. Com um querer.
Escrevo-te sem entendimento. Nas linhas. Nos versos. Nas quadrinhas. Nas rimas.
Escrevo-te aturdido. Escrevo-te vivo. Escrevo-te morto. Escrevo-te exausto.
Escrevo-te perdido.
Perdidamente sem chão. Perdidamente num querer ser entendido.
Num querer de ser atendido e suportado por algo que tu tenhas aí guardado para alguém.
Escrevo-te perdidamente afim que esse alguém seja eu.
Do contrário. Sendo outro o destinatário disso que tens aí, guardado em ti. Será o fim de tudo. E o início de tudo.
Por isso, amiga, escrevo-te assim. Escrevo-te apavorado.
Escrevo-te, por fim, esse texto angustiado
Pois
Hoje desejei, perdidamente, num momento de fraqueza, ser seu namorado.
Escrevo-te com uma sede. Com uma fome. Com uma vontade. Com um querer.
Escrevo-te sem entendimento. Nas linhas. Nos versos. Nas quadrinhas. Nas rimas.
Escrevo-te aturdido. Escrevo-te vivo. Escrevo-te morto. Escrevo-te exausto.
Escrevo-te perdido.
Perdidamente sem chão. Perdidamente num querer ser entendido.
Num querer de ser atendido e suportado por algo que tu tenhas aí guardado para alguém.
Escrevo-te perdidamente afim que esse alguém seja eu.
Do contrário. Sendo outro o destinatário disso que tens aí, guardado em ti. Será o fim de tudo. E o início de tudo.
Por isso, amiga, escrevo-te assim. Escrevo-te apavorado.
Escrevo-te, por fim, esse texto angustiado
Pois
Hoje desejei, perdidamente, num momento de fraqueza, ser seu namorado.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Cria
Hoje a saudade não me escapa
Hoje tem hora marcada
A saudade terá fim
Amarrarei um laço nela
Darei golpes de fivela
Amassarei tampa de panela
Se bobear
Arrisco um chute de trivela
E lá vai ela
Quica, Saudade!
Quica!
Hoje esmago essa saudade
Hoje nenhum pingo de bondade
Nem caldo da caridade
Hoje nem escuto
Nem falo
Hoje a saudade desce pelo ralo
Vou matar sem piedade
Não pedirei nem resgate
E lá vai ela
Sangra, Saudade!
Sangra!
Sangra, que a morte é o que há de certo
Até o nascimento doutra
Até fingir-se pouca
Em minha eterna triste sorte
De ser criadouro das tuas criaturas
De sempre ver tuas nascituras
E me fazer crer que um dia há de morrer
A última cria tua
Nasce, Saudade!
Nasce!
Morre, Saudade!
Morre!
Hoje tem hora marcada
A saudade terá fim
Amarrarei um laço nela
Darei golpes de fivela
Amassarei tampa de panela
Se bobear
Arrisco um chute de trivela
E lá vai ela
Quica, Saudade!
Quica!
Hoje esmago essa saudade
Hoje nenhum pingo de bondade
Nem caldo da caridade
Hoje nem escuto
Nem falo
Hoje a saudade desce pelo ralo
Vou matar sem piedade
Não pedirei nem resgate
E lá vai ela
Sangra, Saudade!
Sangra!
Sangra, que a morte é o que há de certo
Até o nascimento doutra
Até fingir-se pouca
Em minha eterna triste sorte
De ser criadouro das tuas criaturas
De sempre ver tuas nascituras
E me fazer crer que um dia há de morrer
A última cria tua
Nasce, Saudade!
Nasce!
Morre, Saudade!
Morre!
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Valsa dos Cabelos
Lá onde a paz se esconde
Lá onde o sol se põe
Lá onde é minha fonte
Lá o abrigo é meu
Lá finda a saudade
Lá um mar em ondas
Lá a noite é boa
Lá me faz um bem
Lá é minha proa
De navegar você
Lá que me convenço
O quão bom é viver
Lá que enobreço
Meu pobre coração
Lá nos teus cabelos
Não bate solidão
A sorte a me abraçar
A dor vai se acabar
O noite há de findar
Nos teus cabelos
Lá onde o sol se põe
Lá onde é minha fonte
Lá o abrigo é meu
Lá finda a saudade
Lá um mar em ondas
Lá a noite é boa
Lá me faz um bem
Lá é minha proa
De navegar você
Lá que me convenço
O quão bom é viver
Lá que enobreço
Meu pobre coração
Lá nos teus cabelos
Não bate solidão
A sorte a me abraçar
A dor vai se acabar
O noite há de findar
Nos teus cabelos
Grave
Grave. Profundamente grave o breu dos teus olhos
Dois caminhos profundamente negros
Gravemente escuros
São noites sem luz
São precipícios de profundezas sem fim
Que me convidam ao salto
Ao mergulho mortal
Ou ao eterno cair e cair
Grave. Profundamente grave a claridade do teu rosto
É como um campo limpo, liso
Imensamente convidativo
Dia de sol é o teu rosto
É um dia claro e de imensos sorrisos
É um dia que quero
Que espero
E anseio vivê-lo
Grave. Profundamente grave é a beleza do teu sorriso
Imenso, Profundo e claro
Como se não bastasse
Tudo o que de belo existe em ti
É absurdo, uma afronta
É demais
É o insuportável
Que quero
Espero
Desejo
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