segunda-feira, 7 de abril de 2014
sábado, 29 de março de 2014
Amor pra depois
Aquele quintal
vai ficar pra depois
Aqueles dois meninos
vão ficar pra depois
Aquele embalo da rede
vai ficar pra depois
No domingo de preguiça
vai ficar pra depois
Aquela ida à igreja
vai ficar pra depois
Aquela sobremesa
vai ficar pra depois
Aquele cachorro correndo
Vai ficar pra depois
Naquele mesmo quintal
que vai ficar pra depois
Aquela cerveja gelada
vai ficar pra depois
Na tarde quente
vai ficar pra depois
Aquele ciúme
vai ficar pra depois
Aquele sorriso
vai ficar pra depois
Aquele afago
vai ficar pra depois
Aquele abraço
vai ficar pra depois
Aquele aniversário
vai ficar pra depois
Aquele retrato
vai ficar pra depois
Aquele carinho
vai ficar pra depois
Aquele sentido
vai ficar pra depois
Aquela razão
vai ficar pra depois
Aquela emoção
vai ficar pra depois
Pausa a vida
Eu espero nós dois
Mas não cancela
O que destino compôs
Não anula o direito
Rasura a escrita mas não apaga a rima desse amor pra
depois.
Das Muitas Saudadess
Saudades das mais variadas eu tenho de ti
São espécies de saudades únicas
São saudades mil de coisas mil de delírios mil
Saudades de saudades de saudades
São saudades de coisas que nem fizemos
Saudades de horas que nem vivemos
Saudades de sonhos que nem tivemos
Saudades de saudades de saudades
São saudades de coisas tão reais
Saudades e desejos racionais
De saudades de planos ideais
Saudades de saudades de saudades
São saudades de pele, peso e medida
Saudades da fome de ser tua comida
E saudade da sede e necessidade da vida
Saudades de saudades de saudades
Sinto saudades das mais variadas
Saudades da água na boca
Da língua em atrito
Saudades da pausa cansada
Do suor nos poros
Do corpo tenso e do beijo imenso
Saudades do encontro escondido
Saudades de saudades de saudades
Saudades tenho dos dias em que você chegava
Saudades das noites que eu te encontrava
Saudades da saudade que teu beijo dava
Do encaixe do abraço, da mão que apertava.
Saudades de saudades de saudades.
Do corpo em repouso. Do peito nu.
Da cor dos olhos.
Saudades.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
O Poema Forçado
I. O Poema Forçado
Ontem eu quis te escrever um poema
Um poema que falasse de saudade
Ou qualquer poema independente do tema
Mas um poema que dissesse a verdade
Dei mil voltas, fiz vários esquemas
Mas a tua falta se mostrou um problema
E no papel sequer saiu uma frase pequena
E me sinto um poeta fiasco,
poeta digno de pena
Mas hoje de qualquer jeito eu tinha que te
escrever um poema
Um poema que te mostrasse verdade
Nem que fosse um poema à vontade
Um poema sem norma, um poema sem lema
Abri dicionários, roubei relicários, me fiz ao
contrário pra criar um poema
O destino ao final se mostrou solidário
Fiz esse poema primário que em nada lembra os
passados
No bom tempo em que eu te tinha ao meu lado
E bastava te ver que fluía poema
Bastava escrever que fluía poema
II. O Espontâneo do Poema Forçado
E naquele tempo o que era poema
Senão acariciar a tua pele lisa e morena?
Controlar fluidez era o grande dilema
Domar o teu corpo gemendo em fonema
Ao som do sussurro que a orelha esquenta
E tanta lembrança que inspira e atormenta
Só faz-me pensar que a tua presença
Minha pobre e opaca poesia sustenta
E foi ao natural até aqui minhas linhas
E ao vendaval das lembranças contidas
Me veio um sopro, soprando as narinas
Tomou-me o corpo solapando a vida
Em meio ao instante, no segundo que finda
Na saída da hora, o minuto que alinha
E descompasso do peito,
é o coração chorando
poesia.
III. Força do Poema Forçado disfarçado no Espontâneo
Hoje eu quis te escrever um poema
Um poema que fizesse as pazes
Um poema que calasse a vontade
Que fizesse dormente a saudade e a doença
IV. O Fim do Poema Forçado
Quis e fiz
Fim.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
O epílogo introdutório do início do fim
Finda a noite dessa
nossa vida
Finda a tarde em
pérolas ao chão
Finda a nossa linha e
na estação
O coração que
desafina
E no vibrar de um
dedilhar em fuga a rima
Na fina corda o violão
tão sem canção
E a emoção que tu
sentias hoje à mingua
Tão minha a tua dor
que esquadrinha
Vem
E posta esse teu corpo
em flexão
Em contrição
Dá-me tua mão
Que é tudo em vão
Que é tudo um vão
Finda a poesia dessa
nossa coisa
Finda a coisa que sem
valor foi-se ao chão
Finda a linha, finda
essa canção
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Da Confusão do meu silêncio
Tava aqui em silêncio
Olhando para o nada
E nada cala o meu peito
E nada emudece essa
fala
Em nada estipulo
conceito
E nada descansa essa
alma
E nada que eu faça é
direito
E nada atrai essa calma
E nada é tão forte e
estreito
E nada abranda a
revolta
E nada detém meu
desejo
É nada se te tenho de
volta
E tudo o que quero é
teu beijo
E tudo o que tenho é
saudade
E tudo o que penso em
meu leito
É tudo o que tens de
vontade
E tudo o que faço é
sem jeito
E tudo o que digo é
verdade
Em tudo que olho te
vejo
E tudo se faz mais
coragem
Tava aqui em silêncio
Olhando para o nada
E nada me faz mais
inteiro
Que imaginar nossas histórias casadas.
domingo, 3 de junho de 2012
Testificado
Deus, escrevo-te não
por incapacidade de com a boca dizer o que sinto,
ou por incredulidade na
presença constante do teu espírito.
Sei que és presente
até quando eu não quero.
Sei que me ouves até
quando não digo.
Escrevo-te não por
querer gerar um documento que sirva como testamento de que pedi,
e posteriormente fui
atendido,
como uma nota fiscal,
um recibo.
Escrevo-te não só
para que minha oração rabiscada vire obra desejada.
Mas também para que ao
ser lida, seja prece duplicada.
E talvez logo atendida.
Deus, escrevo-te não
por exibição.
Não para pôr à prova
a minha coesão.
Não para tonar pública
a minha confissão,
mas escrevo-te clamando
por interseção dos que me lêem,
e compaixão dos que me
chamam de irmão.
Escrevo-te, meu pai,
não por querer uma simples resposta,
não por querer uma
resoluta posição.
Mas escrevo-te, meu
Deus, muito mais por não saber o que fazer,
depois de tentativas
inúteis visando conclusão.
Temo ter falhado
miseravelmente na missão como cristão.
Deus, escrevo-te não
por ter fé, mas por tê-la perdido.
Sendo este aqui seu
último suspiro.
Escrevo-te prolixo,
escapando ao objetivo,
mas não por medo do
teu silêncio,
mas por temer o teu
juízo.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)