segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Amor Fundamental e Médio.

Se é Química, a fórmula das nossas ligações covalentes e a divisão atômica de elétrons radiantes, apaixonadamente iônica, percorre fluídos dos nossos metais no momento do encontro, confesso, ficam minhas molaridades trêmulas, desejosas de somas e divisões.

E se na Biologia nos entrelaçamos em azinhos e azões, beijinhos e beijões. Nossa cadeia alimentar é à base de tua carne na minha e a minha na tua, nuas. Eis a perpetuação da nossa espécie. Num evolucionismo do amor e num criacionismo da vida soprada nas narinas de um novo homem, que sou.

Se é coisa da Língua, a sintática sintética verdade objetiva e direta, seria: Eu te Amo. E mesmo que pareça transitivo, meu período é composto por subordinação ao sentimento mais puro. E adverbial de causa porque é de verdade o que digo. E consecutiva. Amo tanto que me ponho a escrever muito.

Mas, se é coisa da Arte, meu sentimento é rupestre. Ainda é rabisco no que diz respeito ao tempo. Ainda crescerá, mas já se mostra beirando o Romantismo extremo. No calor da vontade, é ávido ao Naturalismo. No frio da distância é Abstracionista. No sonho de te ter só minha é Futurista. No encontro do beijo, é Surreal.

Se for Matemático, não sei. Nunca fui bom em exatas. É capaz de cairmos em dízimas periódicas. Não saberei mais nada, além de nossas potências nos contatos e equações de segundo grau. Matriz minha, do amor. Se não houver correspondência, o meu problema será ser um conjunto vazio e não estar contido no teu universo. Deixado de lado, tu sendo o seno e eu a tangente.

Se for Física, que nossas massas em repouso saiam do ponto A ao ponto G numa velocidade constante e que finde nossos vetores em ápices por segundo, na hora H.

Se for Sociológico, lógico, o amor será socialista dividindo prazeres em partes iguais. Ao passo que seremos propriedade privada um do outro. Um relacionamento dialético.

Se for Filosófico, meu amor será sem sofismas. E jamais será Platônico.

Mas desejo do fundo do meu coração que seja Histórico. E pra sempre.

Mas se for recreio, melhor ainda. Em 15 minutos consigo algo. Pelo menos o suficiente pra te fazer querer mais no fim dos tempos de hoje. Deus queria que saiamos cedo! Para termos mais tempo de revisar nossas matérias.

Não tiro da cabeça a tua formatura, criatura. E não vejo a hora dos estudos para o Vestibular.
Revisões e revisões. Cursinhos, reforços e aulões.
Que o fôlego não falte. Pois depois disso, na Universidade, escolherei um curso qualquer que tenha Anatomia. Aí os estudos serão com mais intensidade.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Edifícios

Edifícios
Nossas estruturas se conjugaram
Nossos vergalhões atravessaram
As colunas da alma, traspassaram
Dividimos paredes e nas áreas comuns de nós,
percorrem as mesmas visitas, mesmos amigos
Sob o mesmo teto nos abrigamos dos mesmos medos
As chuvas de verão não invadem nossos cômodos

Um encaixe perfeito, por meio de uma engenharia transcendente
Plantas gêmeas
Nossas medidas ficaram arquitetônicas
Gaudinianas, de curvas espanholas, quentes, ventiladas

Porcelana alva encontrei no chão do teu peito
A cal cobre os muros que rodeiam o jardim do teu dorso
E os baldrames que te baseiam, ancas fortes, suportam as amarrações
E recebem o peso das minhas colunas
As divisórias e reentrâncias da tua casa encaixam nas minhas
E assim, tudo em nós é harmonia
Tudo em nós é lugar bom de se viver
Lugar bom de deitar

Edifícios
Nossas pinturas misturaram
Nossos ornamentos combinaram
As nossas portas sem abriram
E que sejam bem vindos os que nos querem bem
e para nenhum faltará lugar
Sob o mesmo teto nos abrigaremos
E as chuvas de verão não invadirão nossos cômodos.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vibrato

No escuro sei teu estado
Sei teu olhar e o que tu queres
Tudo isso pelo som do ar
E o transpirar da tua pele

No escuro sei teu momento
Sei teu desejo, sou parte dele
Tudo isso pelo bom de amar
E de unificar corpos de dois seres

Na claridade sei enxergar
Aquilo que tens de singular
Vejo tua alma, beijo tua pele
De olhos fechados pra de tudo provar

Na claridade sei revelar
As tuas minúcias ao te arrepiar
Guio teus gestos, tomo tuas mãos
Te levo ao vibrato da nossa canção

Na dormência consigo sentir
Aquilo que o fogo bem sabe infligir
Nada me escapa que venha de ti
Sou chama que estala sem consumir

Na carência sei te suprir
Tu tens uma fonte que se sente sem fim
Sou prontidão, sou servidão
Nascido e criado, destinado a paixão

Na noite, no dia, no torpor e na agonia
Sou tudo o que precisas
Teu mantimento, uma despensa viva

Será minha sina

Morrer alimento
para cumprir o destino da vida

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Carnal

Rasante
resvalo
em teu peito

Fino,
separa-nos um fio

O espaço - pouco
Teus pelos - claros
A face - leve
A noite – curta
As mãos - a ponte
Teu seio – aponta
Teu jeito – e porte

Compreendo a linguagem da tua massa
Teus abalos, os tremores da tua terra
E a firmeza do teu beijo

Sei tudo o que dizes
Até quando não dizes

E calmo,
me mantenho

Na sondagem da estrutural formatura
Na tontura da escultural curvatura
No infindável louvor da formosura
Da imagem do amor e sua lisura
que deita
e beija
As minúcias da fraca musculatura
As sacras imagens nos olhos, a iluminura
As mãos calejadas desta pobre criatura
que te quer
e te ama
E sabe mais do que te fazer mulher
E muito mais do que os atalhos da cama
Te sabe tanto no trato selvagem,
quanto no cuidado de dama
Sabe rodear-te em cortejo
E sabe beijar o teu beijo
E o coração
Sabe tocar o teu corpo
Tocar teus sentidos
E em seguida,
canção.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Inflamável

Ei,
me consuma
me desgasta
me esgota
me acaba

Ei,
me abata
me mata
me farta

Ei,
me tortura
me toma
me cala

Músculos,
tendões
e poros
salientes

Abrasando
no perigo inflamável
do encontro dos corpos

E a língua como o fósforo
em arrasto faiscante
no campo da tua pele

Incendeio

E que queime até o limite suportável da dor
E que se alastre até o limite insuportável do limite
E que só se apague no surgimento de outra labareda

Ei,
me rescalda
me acalma
me abranda

Ei,
me pacifica
me tranquiliza
me adormece

Ei,
me silencia
me abraça

e dorme comigo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Deixa assim

Queria mesmo era saber como tão fácil tu me deixa feliz.
Não sei se sou fácil pra alcançar felicidade, ou se fácil tu me alcanças e me leva pra ela.
E queria entender como num olhar teu eu já me sinto bem.
Não sei se é luz ou se é encanto o que tu lança em mim com esses teus olhos.
Nem sei se é intencional, ou se sou eu que anseio tanto enxergar toda essa magia em ti.
Queria ver o que há de espiritual no teu sorriso, que me toca a alma. E deixa mudo o meu juízo.
Ou se sou eu que já expus à nudez minh'alma para ti.
E meu juízo, resolvo adormecer para poder justificar minha loucura.

Pode ser mesmo loucura.
E posso ter me perdido faz tempo.

Só sei que não volto mais.

Não sei se é você, ou se sou eu que quero tudo isso e tenho.
E se tu me dá tudo isso, sem saber.

Não sei se sou eu.

Mas deixa assim.

sábado, 2 de julho de 2011

Falando em escrever...

Há quem escreva desejando a ponte
Desejando a fuga e o livramento
Desejando o provimento e a expurgação

Desejando o fim da represa
A imensidão de um campo aberto
A sombra, o descanso e o amansamento

Há quem escreva no anseio da comunhão com a paz
E quem dedique um tempo a escrever
Para que não reste tempo de ser só

E os que pelejam no garimpo das palavras
E os que suam no andaime da construção na folha em branco
Tudo isso para que não reste tempo de viver

E nas linhas da escrita carregam seus baldes transbordando mágoas
Correm, e no balanço do corpo, na velocidade e agitação da fuga
Deixam mágoas caídas pelo chão da folha em branco

Há quem escreva pelo desejo
E quem escreva por amor
E quem escreva por sofrer