quarta-feira, 25 de abril de 2012
em relatório
Consta na pior parte de mim um orgulho por nada ter,
acompanhado de uma avareza do nada que tenho.
Consta na pior parte de mim uma capacidade de me forçar incapaz sempre que preciso.
Consta na pior parte de mim um ciúme que percorre veias,
pulsa no peito,
circula com o sangue e não sai,
represa.
Consta na pior parte de mim a vingança,
a ira,
o desprezo.
Olhando agora,
consta também,
na pior parte de mim,
omitir meus defeitos.
Constato, por fim,
que a melhor parte de mim,
é você.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Silêncio
Não existe poesia mais tocante que o silêncio de um coração que ama.
Se o poeta é de coração ferido,
no peito faz-se a obra mais perfeita.
Diz-se o que nunca foi dito.
E nas folhas finas de uma alma abatida,
o peito-poeta deita as letras lentamente em suas linhas.
Numa calma e perícia de quem aprendeu lidar muito mais com a morte de cada dia,
que com as ilusões da vida.
A obra mais perfeita é a obra muda.
É a obra que não se manifesta em palavras.
É a obra calada que brada e chega a alcançar os calcanhares de Deus,
que por misericórdia de um poeta, inclina os ouvidos e a recebe.
Encontra na essência da obra, em meio a mágoas, dores, temores e lágrimas,
a si mesmo.
A poesia do peito é um clamor por salvação.
Silêncio.
Se o poeta é de coração ferido,
no peito faz-se a obra mais perfeita.
Diz-se o que nunca foi dito.
E nas folhas finas de uma alma abatida,
o peito-poeta deita as letras lentamente em suas linhas.
Numa calma e perícia de quem aprendeu lidar muito mais com a morte de cada dia,
que com as ilusões da vida.
A obra mais perfeita é a obra muda.
É a obra que não se manifesta em palavras.
É a obra calada que brada e chega a alcançar os calcanhares de Deus,
que por misericórdia de um poeta, inclina os ouvidos e a recebe.
Encontra na essência da obra, em meio a mágoas, dores, temores e lágrimas,
a si mesmo.
A poesia do peito é um clamor por salvação.
Silêncio.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Não um poema. Um trecho.
Sabe?! Acredito haver pessoas que são pontes.
Ligam pessoas, coisas, circunstâncias...
Acredito ser um desses.
Talvez eu seja alguém que não seja o fim de alguém.
Talvez eu não seja o destino de alguém.
Talvez eu seja uma passagem.
Um estágio.
Pode ser que eu seja trafegável. Não seja estacionável.
Pode ser que eu seja transitório. Não seja perpétuo.
Pode ser que eu seja provisório. Não permanente.
Pode ser que eu seja um abrigo. Não uma casa.
Pode ser que eu seja um ponto. Não a estação.
Pode ser que eu seja “um”. Não “o”.
Pode ser que eu não seja. Eu esteja.
Pode ser que eu não more. Eu me hospede.
Pode ser que eu não seja uma viagem. Eu seja um passeio.
Pode ser que eu não seja um descanso. Eu seja uma pausa.
Pode ser que eu não seja uma Novela. Eu seja uma Mini-Série.
Pode ser que eu não seja um sonho. Eu seja uma lembrança.
Pode ser que eu não seja um filme. Eu seja um curta.
Pode ser que eu não seja uma música. Eu seja vinheta.
Pode ser que eu não seja um livro. Eu seja um folheto.
Pode ser que eu não seja uma foto. Eu seja um rabisco.
Pode ser que eu não seja férias. Eu seja folga.
E em nada disso há menosprezo.
Porque se sou isso, serei o melhor isso de tudo isso na vida de alguém.
Quantas vezes for preciso.
Até o fim.
Ligam pessoas, coisas, circunstâncias...
Acredito ser um desses.
Talvez eu seja alguém que não seja o fim de alguém.
Talvez eu não seja o destino de alguém.
Talvez eu seja uma passagem.
Um estágio.
Pode ser que eu seja trafegável. Não seja estacionável.
Pode ser que eu seja transitório. Não seja perpétuo.
Pode ser que eu seja provisório. Não permanente.
Pode ser que eu seja um abrigo. Não uma casa.
Pode ser que eu seja um ponto. Não a estação.
Pode ser que eu seja “um”. Não “o”.
Pode ser que eu não seja. Eu esteja.
Pode ser que eu não more. Eu me hospede.
Pode ser que eu não seja uma viagem. Eu seja um passeio.
Pode ser que eu não seja um descanso. Eu seja uma pausa.
Pode ser que eu não seja uma Novela. Eu seja uma Mini-Série.
Pode ser que eu não seja um sonho. Eu seja uma lembrança.
Pode ser que eu não seja um filme. Eu seja um curta.
Pode ser que eu não seja uma música. Eu seja vinheta.
Pode ser que eu não seja um livro. Eu seja um folheto.
Pode ser que eu não seja uma foto. Eu seja um rabisco.
Pode ser que eu não seja férias. Eu seja folga.
E em nada disso há menosprezo.
Porque se sou isso, serei o melhor isso de tudo isso na vida de alguém.
Quantas vezes for preciso.
Até o fim.
Amor Fundamental e Médio.
Se é Química, a fórmula das nossas ligações covalentes e a divisão atômica de elétrons radiantes, apaixonadamente iônica, percorre fluídos dos nossos metais no momento do encontro, confesso, ficam minhas molaridades trêmulas, desejosas de somas e divisões.
E se na Biologia nos entrelaçamos em azinhos e azões, beijinhos e beijões. Nossa cadeia alimentar é à base de tua carne na minha e a minha na tua, nuas. Eis a perpetuação da nossa espécie. Num evolucionismo do amor e num criacionismo da vida soprada nas narinas de um novo homem, que sou.
Se é coisa da Língua, a sintática sintética verdade objetiva e direta, seria: Eu te Amo. E mesmo que pareça transitivo, meu período é composto por subordinação ao sentimento mais puro. E adverbial de causa porque é de verdade o que digo. E consecutiva. Amo tanto que me ponho a escrever muito.
Mas, se é coisa da Arte, meu sentimento é rupestre. Ainda é rabisco no que diz respeito ao tempo. Ainda crescerá, mas já se mostra beirando o Romantismo extremo. No calor da vontade, é ávido ao Naturalismo. No frio da distância é Abstracionista. No sonho de te ter só minha é Futurista. No encontro do beijo, é Surreal.
Se for Matemático, não sei. Nunca fui bom em exatas. É capaz de cairmos em dízimas periódicas. Não saberei mais nada, além de nossas potências nos contatos e equações de segundo grau. Matriz minha, do amor. Se não houver correspondência, o meu problema será ser um conjunto vazio e não estar contido no teu universo. Deixado de lado, tu sendo o seno e eu a tangente.
Se for Física, que nossas massas em repouso saiam do ponto A ao ponto G numa velocidade constante e que finde nossos vetores em ápices por segundo, na hora H.
Se for Sociológico, lógico, o amor será socialista dividindo prazeres em partes iguais. Ao passo que seremos propriedade privada um do outro. Um relacionamento dialético.
Se for Filosófico, meu amor será sem sofismas. E jamais será Platônico.
Mas desejo do fundo do meu coração que seja Histórico. E pra sempre.
Mas se for recreio, melhor ainda. Em 15 minutos consigo algo. Pelo menos o suficiente pra te fazer querer mais no fim dos tempos de hoje. Deus queria que saiamos cedo! Para termos mais tempo de revisar nossas matérias.
Não tiro da cabeça a tua formatura, criatura. E não vejo a hora dos estudos para o Vestibular.
Revisões e revisões. Cursinhos, reforços e aulões.
Que o fôlego não falte. Pois depois disso, na Universidade, escolherei um curso qualquer que tenha Anatomia. Aí os estudos serão com mais intensidade.
E se na Biologia nos entrelaçamos em azinhos e azões, beijinhos e beijões. Nossa cadeia alimentar é à base de tua carne na minha e a minha na tua, nuas. Eis a perpetuação da nossa espécie. Num evolucionismo do amor e num criacionismo da vida soprada nas narinas de um novo homem, que sou.
Se é coisa da Língua, a sintática sintética verdade objetiva e direta, seria: Eu te Amo. E mesmo que pareça transitivo, meu período é composto por subordinação ao sentimento mais puro. E adverbial de causa porque é de verdade o que digo. E consecutiva. Amo tanto que me ponho a escrever muito.
Mas, se é coisa da Arte, meu sentimento é rupestre. Ainda é rabisco no que diz respeito ao tempo. Ainda crescerá, mas já se mostra beirando o Romantismo extremo. No calor da vontade, é ávido ao Naturalismo. No frio da distância é Abstracionista. No sonho de te ter só minha é Futurista. No encontro do beijo, é Surreal.
Se for Matemático, não sei. Nunca fui bom em exatas. É capaz de cairmos em dízimas periódicas. Não saberei mais nada, além de nossas potências nos contatos e equações de segundo grau. Matriz minha, do amor. Se não houver correspondência, o meu problema será ser um conjunto vazio e não estar contido no teu universo. Deixado de lado, tu sendo o seno e eu a tangente.
Se for Física, que nossas massas em repouso saiam do ponto A ao ponto G numa velocidade constante e que finde nossos vetores em ápices por segundo, na hora H.
Se for Sociológico, lógico, o amor será socialista dividindo prazeres em partes iguais. Ao passo que seremos propriedade privada um do outro. Um relacionamento dialético.
Se for Filosófico, meu amor será sem sofismas. E jamais será Platônico.
Mas desejo do fundo do meu coração que seja Histórico. E pra sempre.
Mas se for recreio, melhor ainda. Em 15 minutos consigo algo. Pelo menos o suficiente pra te fazer querer mais no fim dos tempos de hoje. Deus queria que saiamos cedo! Para termos mais tempo de revisar nossas matérias.
Não tiro da cabeça a tua formatura, criatura. E não vejo a hora dos estudos para o Vestibular.
Revisões e revisões. Cursinhos, reforços e aulões.
Que o fôlego não falte. Pois depois disso, na Universidade, escolherei um curso qualquer que tenha Anatomia. Aí os estudos serão com mais intensidade.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Edifícios
Edifícios
Nossas estruturas se conjugaram
Nossos vergalhões atravessaram
As colunas da alma, traspassaram
Dividimos paredes e nas áreas comuns de nós,
percorrem as mesmas visitas, mesmos amigos
Sob o mesmo teto nos abrigamos dos mesmos medos
As chuvas de verão não invadem nossos cômodos
Um encaixe perfeito, por meio de uma engenharia transcendente
Plantas gêmeas
Nossas medidas ficaram arquitetônicas
Gaudinianas, de curvas espanholas, quentes, ventiladas
Porcelana alva encontrei no chão do teu peito
A cal cobre os muros que rodeiam o jardim do teu dorso
E os baldrames que te baseiam, ancas fortes, suportam as amarrações
E recebem o peso das minhas colunas
As divisórias e reentrâncias da tua casa encaixam nas minhas
E assim, tudo em nós é harmonia
Tudo em nós é lugar bom de se viver
Lugar bom de deitar
Edifícios
Nossas pinturas misturaram
Nossos ornamentos combinaram
As nossas portas sem abriram
E que sejam bem vindos os que nos querem bem
e para nenhum faltará lugar
Sob o mesmo teto nos abrigaremos
E as chuvas de verão não invadirão nossos cômodos.
Nossas estruturas se conjugaram
Nossos vergalhões atravessaram
As colunas da alma, traspassaram
Dividimos paredes e nas áreas comuns de nós,
percorrem as mesmas visitas, mesmos amigos
Sob o mesmo teto nos abrigamos dos mesmos medos
As chuvas de verão não invadem nossos cômodos
Um encaixe perfeito, por meio de uma engenharia transcendente
Plantas gêmeas
Nossas medidas ficaram arquitetônicas
Gaudinianas, de curvas espanholas, quentes, ventiladas
Porcelana alva encontrei no chão do teu peito
A cal cobre os muros que rodeiam o jardim do teu dorso
E os baldrames que te baseiam, ancas fortes, suportam as amarrações
E recebem o peso das minhas colunas
As divisórias e reentrâncias da tua casa encaixam nas minhas
E assim, tudo em nós é harmonia
Tudo em nós é lugar bom de se viver
Lugar bom de deitar
Edifícios
Nossas pinturas misturaram
Nossos ornamentos combinaram
As nossas portas sem abriram
E que sejam bem vindos os que nos querem bem
e para nenhum faltará lugar
Sob o mesmo teto nos abrigaremos
E as chuvas de verão não invadirão nossos cômodos.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Vibrato
No escuro sei teu estado
Sei teu olhar e o que tu queres
Tudo isso pelo som do ar
E o transpirar da tua pele
No escuro sei teu momento
Sei teu desejo, sou parte dele
Tudo isso pelo bom de amar
E de unificar corpos de dois seres
Na claridade sei enxergar
Aquilo que tens de singular
Vejo tua alma, beijo tua pele
De olhos fechados pra de tudo provar
Na claridade sei revelar
As tuas minúcias ao te arrepiar
Guio teus gestos, tomo tuas mãos
Te levo ao vibrato da nossa canção
Na dormência consigo sentir
Aquilo que o fogo bem sabe infligir
Nada me escapa que venha de ti
Sou chama que estala sem consumir
Na carência sei te suprir
Tu tens uma fonte que se sente sem fim
Sou prontidão, sou servidão
Nascido e criado, destinado a paixão
Na noite, no dia, no torpor e na agonia
Sou tudo o que precisas
Teu mantimento, uma despensa viva
Será minha sina
Morrer alimento
para cumprir o destino da vida
Sei teu olhar e o que tu queres
Tudo isso pelo som do ar
E o transpirar da tua pele
No escuro sei teu momento
Sei teu desejo, sou parte dele
Tudo isso pelo bom de amar
E de unificar corpos de dois seres
Na claridade sei enxergar
Aquilo que tens de singular
Vejo tua alma, beijo tua pele
De olhos fechados pra de tudo provar
Na claridade sei revelar
As tuas minúcias ao te arrepiar
Guio teus gestos, tomo tuas mãos
Te levo ao vibrato da nossa canção
Na dormência consigo sentir
Aquilo que o fogo bem sabe infligir
Nada me escapa que venha de ti
Sou chama que estala sem consumir
Na carência sei te suprir
Tu tens uma fonte que se sente sem fim
Sou prontidão, sou servidão
Nascido e criado, destinado a paixão
Na noite, no dia, no torpor e na agonia
Sou tudo o que precisas
Teu mantimento, uma despensa viva
Será minha sina
Morrer alimento
para cumprir o destino da vida
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